sexta-feira, 4 de julho de 2014

Saxofone Slide - um sax que eu nunca tinha ouvido falar

Olá macacada, tudo bem?
Bom, hoje venho falar deste sax, que descobri ontem a noite enquanto olhava a internderd para meu mais novo ultra secreto projeto!

Segundo o artigo de Paul Cohen , o saxofone slide é uma criação do pós primeira guerra mundial que não vingou na "moda", e acabou por se tornar um item raro, de colecionador.


Foto 1: vista lateral, onde é possível vislumbrar a alça da lâmina e boquilha.
Foto 2: vista de cima, lingueta acionada, é possível ver as marcações da afinação.
Fonte da imagem: http://bassic-sax.info/blog/?p=31064

Tocando com palheta similar à do sax soprano, ele não tem a nota fixa, igual à uma flauta de embolo, podendo inclusive oitavar, tendo alguns instrumentos chave de oitava. Ao contrário da flauta de embolo, ele não comprime o interior, mas, sim, tem uma lingueta na sua lateral, que, ao ser puxada para cima, abre mais e mais, dando o agudo, se empurrada, fecha e da o grave. Seu funcionamento foi aperfeiçoado, e, em 1928, chegou a ser tocado em shows, porém, não vingou.

Duas empresas fabricaram tal instrumento, a Heiffel & Husted (que detinha a patente) e Lyon and Healy (contatada pela primeira para também fabricar). A criação da Heiffel & Husted tinha gravado, ao lado da guia da lâmina, as notas, o que permitia maior controle da afinação ao instrumentista.
Uma vantagem deste instrumento, segundo o artigo de Cohen, é que é fácil de ser jogado, e vários efeitos que demorariam anos num sax comum podem ser tocados sem muita dificuldade, fora as facilidades de manutenção, afinal, não tem sapatilhas e nem sistema de chave.

Agora vem a pergunta: porque este instrumento, com tantas vantagens, não popularizou?
Segundo Cohen, o saxofone no jazz, em dado momento, ainda não tinha se popularizado (provavelmente na época do lançamento deste instrumento). Também ele tem um som um pouco mais  escuro que o sax "normal", entendo ser por causa de sua cúpula logo acima do cone.

Apesar de ser raras as gravações deste sax na época de sua fabricação, existem alguns vídeos dele na internet, apesar de ser com tocadores contemporâneos. De toda forma, creio que valha a pena assistir:



Considerações finais

Creio que daqui possamos tirar algumas lições para instrumentos musicais futuros, no caso, a lingueta parece ser um mecanismo interessante se aplicado em outros instrumentos como as flautas ou clarinete, porém, ela ficar muito a mostra pode ser um problema (ou não, se pensarmos nesse vídeo aqui).

Uma solução também pode ser o próprio instrumento abrir e fechar, tal como nesse vídeo, onde o cidadão faz um clarinete slide, ou melhor, busca o efeito de slide no clarinete, mas, abre e fecha ele como um alicate. Creio que essa solução possa ser aplicada a um sax também.

Penso que uma solução melhor quanto à lingueta aparecendo seja um sistema onde ela se enrole, creio que fica menos visível.


Referências:

COHEN, P. Vintage Saxofones Revisited - The Royal Slide Saxophone. Visualizado em 04/07/2014. Disponível em https://www.dornpub.com/SaxjPDF/slidesax.pdf
HALKE, Hellen. A Slide Sax That Didn'd Catch On. Visualizado em 04/07/2014. Disponível em http://bassic-sax.info/blog/?p=31064

Construção do sax de pvc - considerações

Este texto foi publicado hoje no fórum Cifraclub. Entendo que ele seja o mais avançado até  agora quanto a construção deste instrumento, então, deixo ele para os possíveis leitores deste ponto fétido:

Olá a todxs!
Primeiramente, é uma pena que eu não tenha achado esse tópico nos anos anteriores, em verdade, me cadastrei aqui no cifraclub só por causa dele...enfim, vamos ao trabalho.

Fazer um sax de pvc não é complicado, só requer um pouco de paciência, além de, claro, ter as ferramentas necessárias, como afinador, serra, faca, lixa, fita durex, durepox, cola quente, pvc de diferentes diâmetros e comprimentos, cone (se possível).

Caso queira criar o sax inteiro, incluso a boquilha, podes fazer de 2 formas, a primeira, cortando um pvc 15mm de forma a ficar uma pequena rampa onde irá a boquilha (tal como no xaphonn, como podem ver nesse link: http://xaphoon.easystorecreator.net/images/Black_Pocket_Sax_on_its_bac k_-_reed_and_cap_7x10_72_dpi.jpg ), ou, caso queiram de forma a se aproximar a uma boquilha mais típica, recomendo esse vídeo: www.youtube.com/watch?v=j8_nlifaOGo
Em geral, eu amarro a boquilha com barbante mesmo, pois ai posso ajustar a abertura a meu gosto. Também é importante que, se você fizer a boquilha, fazer uma pequena raspagem na ponta, de forma a ter um pequeno desnível, 1 ou 2 mm, para a palheta vibrar. Recomendo ir fazendo e testado, até o resultado agradar. Quanto maior o comprimento da boquilha, mais grave, quanto menor, mais agudo, e, para o diâmetro,idem.

Para a criação do corpo do instrumento, entendo ser importante começar pelo tuddel (ou creio ser o tudel), a região onde a boquilha irá. Eu uso uma mangueira com aproximadamente 10mm de diâmetro com 1cm ou menos de comprimento, deixando metade para a boquilha, a outra metade para ser fixada no instrumento. Em geral uso cola quente para fixar, mas, durex branca pode ser também.

Para as próximas partes do instrumento entendo que seja importante entender um pouco sobre o conceito de cone do instrumento. Ele (o cone) que faz o sax ter um padrão de notas par (ou seja,ele oitava quando aciona o registro agudo), se for cilíndrico, terá um padrão ímpar, tal como o clarinete (que joga as notas em quintas ou sétimas). É importante se atentar que o cone não pode ser uma abertura radical, quero dizer, o cone do sax tem de ser suave, progressivo, isso permite ele oitavar, se for muito aberto, não oitavará.

Como faremos com pvc, o cone se dará pela maior quantidade de diâmetros possíveis, de forma crescente. Após o tudel, será um pvc de 15mm de diâmetro, não direi uma medida fixa, porém, recomendo que vá testando o som, tentando fugir do timbre do clarinete e se aproximando do sax. Quando for passar para o próximo cano (20mm), veja a afinação, por exemplo, se der Sib, podemos, um pouco antes, fazer o furo da nota Si ou Dó. Para fazer o furo, recomendo que faça ele pequeno, e vá testando a nota, até ela chegar na afinação desejada. Caso ultrapasse a afinação, recomendo fechar um pouco do furo com cola quente ou durepox.

Quanto aos outros segmentos do instrumento, creio que o escrito acima vale, mas, deve se atentar que, se cada furo for em diâmetro diferente, a afinação na segunda oitava será melhor. Claro que nem sempre é possível (falta de material, por ex)|, mas, se fizer a primeira oitava certa (digamos, 2 notas no mesmo tubo), na oitava aguda poderá sair uma delas desafinada.

Para unir cada tubo, recomendo durex, pois, caso tenha de retirar, fica mais fácil. Quando entender que o instrumento está completo, podes unir com uma cola de pvc ou cola quente. Também recomendo lixar bem onde cortar e furar, para não haver raspas que possam xiar o som.

Como alguns furos serão muito largos (principalmente nas notas grave), bem como a distância entre cada nota se tornar alta nas notas mais graves, chaves são recomendadas. Claro que chaves como as de um sax convencional serão mais difíceis de fazer, mas, nada impede. Como eu opto por simplicidade e materiais de fácil acesso, recomendo esse pequeno projeto, inspirado naquelas flautas medievais com uma ou duas chaves mais: http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2014/04/youtube-chave-reciclada-p ara-flauta-de.html
Esse projeto de chave busca ser o mais simples possível, sem as torres como num sax de fabrica, tendo, no lugar, uma área plana de durepox para a chave vedar melhor. Claro que, se a pessoa tiver imaginação, pode criar chaves fechadas (para os meio tons) e chaves que fecham as outras simultaneamente, não vejo limites, talvez só a estética.

Quanto ao fim do instrumento, podemos optar por fazer um sino, ou seja, aumentar um pouco mais o diâmetro para projetar melhor a ultima nota. Um cone ou um pvc com o diâmetro aumentado no fogo pode ser usado.

Por fim, deixo o aviso de que o negócio é ir testando, o primeiro não sai bom, o segundo mais ou menos, o terceiro melhor, o quarto da para fazer um som da hora, e assim vai indo.
Caso tenham dúvidas, podem me escrever.
Caso queiram mais leituras, segue os links abaixo.

http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/03/algumas-medidas-de-diametros-de.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/02/pequeno-texto-sobre-criacao-de-meu.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/01/como-fazer-chaves-de-pvc-para-sua.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/01/projeto-do-meu-terceiro-prototipo-de.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/01/link-de-um-plano-de-como-fazer-um.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/01/possibilidades-musicais-para-vuvuzela.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2012/02/como-fazer-saxofone-atraves-de-uma.html 

Vídeos mais didáticos que os meus: Alessandro Galdino:

http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2014/01/alessandro-galdino-e-seu-sax-soprano-de.html
http://silviofeitosa.blogspot.com.br/2014/03/alessandro-galdino-ensina-como-fazer.html

Erik Nugent e seu Didgeridoo com chaves

Olá Macacada!
Eis que, pesquisando para meu projeto secreto mais recente, encontro algo que me fez lembrar as conversas da oficina de didgeridoo no Psicodália 2011, no caso, se um didgeridoo tivesse um sistema que muda-se as notas, onde os participantes da oficina pensavam mais em um sistema rolante (no estilo de um trombone de vara).
Eis que, passado um tempo, me deparo com esse vídeo, mostrando que um didgeridoo com notas cromáticas é possível, no caso, usando chaves, tal como o sistema bohem ou albert:

Claro que fui pego de surpresa, eu mesmo não tinha pensado na possibilidade de um projeto tão bacana, apesar de já ter visto os projetos das Squares Wood Serpents (caso queira saber mais sobre a construção deste instrumento dos metais (agora portado para madeira, e, ainda, quadrado, clique aqui e aqui).

Caso queiram saber mais sobre a figura que fez o didgeridoo chaveado, segue o link: http://nununugent.com/nununugent/Home.html


Ps: no site tem um álbum de musicas do Erik, muito interessante :D