quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Considerações sobre o uso de garrafa pet na construção de saxofones de material reciclado

Olá polvo, blz?
Revirando as coisas na casa de meu pai, achei alguns registros quanto à protótipos passados de saxofone soprano e minha busca por fazer um tubo cônico com materiais acessíveis/reciclados, e eis que achei um registro que não coloquei no blog, de 2012, no caso, do saxofone soprano feito com folhas de garrafa pet.

Bom, antes de tudo, digo que na época o que me inspirou a fazer tal foi a imagem de um feito por Robson Taranto Junior (clique no nome que vocês irão no link dele), bem como minha decepção já crescente com o pvc na época. Aqui vai as imagens da catastofre:





Como podem notar, ainda usava boquilha de pvc, e a ponta-sino tem uma distorção, pois há um limite da largura que a pet atinge.


 Visão do interior: cada camada cria pequenos degraus, como os cilindros dos sax de pvc, o que pode gerar problemas na afinação e obstáculos ao som quando faz o furo.


 Furos feitos com ferro de soldar. O problema é que o ferro de soldar distorce/entorta as camadas de pet por dentro.


Como eu fiz: cortei algumas folhas de pet (descartei o gargalo e o fundo), e afunilei, de forma a ir alongado o funil a cada folha, tipo, fiz o cone com a primeira, continuava o cone na ponta da segunda, e assim por diante, até atingir o limite do possível. Tudo foi unido com durex transparente. Os furos foram feitos com ferro de soldar, e, a cada furo, um teste  no afinador, para ver se a nota estava correta. Tive de passar muita durex para deixar o cone estável o suficiente para poder tocar.

Problemas de densidade: Este sax era para atingir a nota dó (seria um melody soprano), porém, ele atingiu no máximo o ré, sendo que no dó ele oitavava. Creio que isso se deu por causa da densidade do material, pois a pet é bem mole, e por mais que eu passasse durex, havia um limite, pois o excesso de durex deforma o tubo (ele começa a ficar oval).

Problemas nos furos: Ao furar, as camadas de pet entortaram para dentro, criando outras distorções no material, que tiveram de ser resolvidas na base de muito ferro quente, porém, fragilizando a resistência e densidade.

Projeção do som: creio que esse seja um ponto interessante, a projeção foi maior que no sax de pvc, porém, ainda continua menor que no metal ou madeira.

A questão econômica e ambiental: é um ponto positivo, afinal, pet é algo que se acha no lixo de qualquer cidade, nada custa, e, quanto a durex, custa R$4,00 nas lojas de 1,99. Do ponto de vista ambiental, gastamos pouca energia e praticamente 0 poluentes, portanto, creio que as pessoas que apostem no uso de pet tem muito a ganhar, e o ambiente também!

Considerações finais: Creio que o uso de pet para fazer um saxofone inteiro seja muito problemático, pois há distorções no tubo (furação, camadas que formam pequenos degraus, durex que deforma) e problemas de densidade, sendo que o último creio que possa ser superado pela aplicação de várias camadas. Entendo que um sax que use pet como uma parte de seu componente (nas notas da mão esquerda, as mais agudas, ou ainda perto do tudel) tenha mais chances de sucesso. Creio que a única exceção de fazer um sax inteiro de pet seja no caso do soprillo, pois seu tamanho diminuto creio que possa vencer as questões de densidade (ou ainda um xaphoon). Entendo que um sax por partes (tudel de pet, corpo de outro material mais denso) seja algo a ser bem considerado. 

OBS: esse sax foi o que levei no Psicodália 2012/2013, onde ministrei uma oficina.
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